sábado, 27 de outubro de 2007

Quero que saibas...

Quero que saibas
Que fiz muito por ti,
Que movi montes e vales,
Que em mil e uma coisas cri.

Quero que saibas
Que lagos e mares sequei,
Que fiz flores brotar no deserto,
Que um raio no céus rasguei.

Quero que saibas
Que nadei no céu aberto,
Que voei no mar alto,
Tentando sentir-te mais perto.

Quero que saibas
Que mil e uma estrelas pintei
Na nossa vida que seria o céu,
Nomes, caminhos e datas lhes dei.

Quero que saibas
Que meus olhos ainda não sequei
Mas já os sinto a endurecer,
Esferas de sal que guardarei.

Quero que saibas
Que a luz que eras, meu Sol,
Ajudou-me a iluminar a noite de muitos,
Ao reflectires tua luz p’ra mim.

A sempre tua,
Lua.


domingo, 19 de agosto de 2007

a busca da perfeição...

E ali estava eu, a andar de gaivota.
Tranquilamente pus a mão na água como se estivesse a acariciar um cobertor. Que sensação, a água fresca a correr na minha mão, por entre os meus dedos... Sensação da água que transmitia a frescura de uma extremidade do corpo para o corpo todo. Detive-me a olhar para os meus dedos. Tinha as unhas pintadas de vermelho carmim, a começar a perder a cor nas pontas por causa dos dias que iam passando. – Vou ter de as arranjar quando chegar a casa hoje à tarde – pensei. No entanto, debaixo do mar, tudo ganha outra forma. Os meus dedos parecem ficar mais estreitos, a minha pele empalidece um pouco mais, o meu verniz ficara de uma cor mais viva. A minha atenção virou-se para o brilho dos reflexos do sol no mar.

O mar... Essa força ambígua da natureza. Tanta beleza, mas tanta brutalidade. Por momentos pensei que no mundo também existem pessoas como o mar.
O mar... é perfeito.
E quando olho de novo para as minhas unhas, vejo que por muito que o ser humano se esforce para atingir a tão desejada – por Cesário Verde e por muitos de nós – "perfeição de todas as coisas", nada chega para equivaler à perfeição que é o mundo criado que nos rodeia.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

10,000 Miles - Mary Chapin Carpenter

Fare thee well
My own true love
Farewell for a while
I’m going away
But I’ll be back
Though I go 10,000 miles

10,000 miles
My own true love
10,000 miles or more
The rocks may melt
And the seas may burn

If I should not return
Oh don’t you see
That lonesome dove
Sitting on an ivy tree
She’s weeping for
Her own true love
As I shall weep for mine

Oh come ye back
My own true love
And stay a while with me
If I had a friend
All on this earth
You’ve been a friend to me

Não é o vídeo da música, mas achei uma interpretação bonita...

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Uma flor de verde pinho...

Eu podia chamar-te pátria minha
dar-te o mais lindo nome português
podia dar-te um nome de rainha
que este amor é de Pedro por Inês.

Mas não há forma não há verso não há leito
para este fogo amor para este rio.
Como dizer um coração fora do peito?
Meu amor transbordou. E eu sem navio.

Gostar de ti é um poema que não digo
que não há taça amor para este vinho
não há guitarra nem cantar de amigo
não há flor não há flor de verde pinho.

Não há barco nem trigo não há trevo
não há palavras para dizer esta canção.
Gostar de ti é um poema que não escrevo.
Que há um rio sem leito. E eu sem coração.

(Manuel Alegre)

[gostar de ti é um poema que não digo...]

Musica brilhantemente adaptada por Paula Oliveira no seu CD "Lisboa que Adormece" juntamente com Bernardo Moreira... aconselho vivamente!!

quinta-feira, 21 de junho de 2007

o escrever...

um dia perguntaram-me porque escrevo... respondi:

"Escrever, nem que seja ficção, é uma maneira de expor uma história à qual uma certa faixa etária se poderá identificar... com esperança, essa história poderá ajudar o leitor a superar as questões que tem em mão... isto no caso da ficção... porque a ficção não passa de isso mesmo; ficção, fingimento, a tal brincadeira do faz-de-conta das crianças…

Escrever o real, é talvez para marcar o que passei. Como li num livro uma vez: “Primeiro sofre-se, escreve-se por vingança”. Escrevo situações em que estive, agradáveis ou menos agradáveis… mas escrevo o que verdadeiramente me cicatrizou, para não esquecer nenhum pormenor… e quando falo em cicatrizou, não falo só pela negativa, mas também no bom sentido da palavra… os amigos deixam cicatrizes, marcam-nos, deixam-nos vinculados a eles… pessoas que verdadeiramente marcam o nosso coração…

Por outro lado, escrever o que sinto acaba por ser para me ajudar a planificar os meus sentimentos e reflexões... acaba por ser um mero egoísmo porque a finalidade é para EU perceber em que ponto EU estou no que respeita a reflexões, maneira de pensar... não tenho essa oportunidade no dia a dia… por isso, tento separar uns minutos do dia para escrever algo, nem que seja uma frase, para marcar o que pensei ou tentei pensar nesse dia… quando não, sinto que fui inútil de uma certa maneira…

Mas escrever é basicamente porque gosto da palavra, gosto de escrever os meus pensamentos, inventar histórias conforme o meu estado de espírito, formar "teses" desenvolvidas a partir de uma coisa que vejo, por muito absurda que seja.... Olhar para um computador e falar sobre a comunicação; olhar para um comportamento e falar da sociedade, olhar para uma aliança e falar de relacionamentos… construir uma teia de pensamentos que se interligam e formam uma maneira de pensar, que acaba por gerir e orientar o meu modus vivendi.... Porque o dom da escrita é lindo... e, modéstia à parte, saber escrever é algo que não trocaria por nada..."



e releio este texto com a maior saudade...
porque perdi o meu saber escrever...
com folhas em branco começo,
e com folhas em branco acabo...


perdi a minha escrita