quinta-feira, 21 de junho de 2007

o escrever...

um dia perguntaram-me porque escrevo... respondi:

"Escrever, nem que seja ficção, é uma maneira de expor uma história à qual uma certa faixa etária se poderá identificar... com esperança, essa história poderá ajudar o leitor a superar as questões que tem em mão... isto no caso da ficção... porque a ficção não passa de isso mesmo; ficção, fingimento, a tal brincadeira do faz-de-conta das crianças…

Escrever o real, é talvez para marcar o que passei. Como li num livro uma vez: “Primeiro sofre-se, escreve-se por vingança”. Escrevo situações em que estive, agradáveis ou menos agradáveis… mas escrevo o que verdadeiramente me cicatrizou, para não esquecer nenhum pormenor… e quando falo em cicatrizou, não falo só pela negativa, mas também no bom sentido da palavra… os amigos deixam cicatrizes, marcam-nos, deixam-nos vinculados a eles… pessoas que verdadeiramente marcam o nosso coração…

Por outro lado, escrever o que sinto acaba por ser para me ajudar a planificar os meus sentimentos e reflexões... acaba por ser um mero egoísmo porque a finalidade é para EU perceber em que ponto EU estou no que respeita a reflexões, maneira de pensar... não tenho essa oportunidade no dia a dia… por isso, tento separar uns minutos do dia para escrever algo, nem que seja uma frase, para marcar o que pensei ou tentei pensar nesse dia… quando não, sinto que fui inútil de uma certa maneira…

Mas escrever é basicamente porque gosto da palavra, gosto de escrever os meus pensamentos, inventar histórias conforme o meu estado de espírito, formar "teses" desenvolvidas a partir de uma coisa que vejo, por muito absurda que seja.... Olhar para um computador e falar sobre a comunicação; olhar para um comportamento e falar da sociedade, olhar para uma aliança e falar de relacionamentos… construir uma teia de pensamentos que se interligam e formam uma maneira de pensar, que acaba por gerir e orientar o meu modus vivendi.... Porque o dom da escrita é lindo... e, modéstia à parte, saber escrever é algo que não trocaria por nada..."



e releio este texto com a maior saudade...
porque perdi o meu saber escrever...
com folhas em branco começo,
e com folhas em branco acabo...


perdi a minha escrita