quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

esta coisa do ano novo não me diz muito...



"É véspera de fim de ano e estou dentro do meu carro, na rua, estacionada num parque, e ouço a chuva a tilintar na capota como pano de fundo para a música que ouço que acompanha os meus pensamentos «montanha-russados».
Penso em nada e em tudo, como ser humano que sou. Penso em tanta coisa que não consigo focar-me em nada em específico. É quase um prisma das cores inverso. No prisma a luz (o branco) gera as cores; em mim, todos os pensamentos dão um nada composto de tudo.

O que fiz este ano, o que não fiz...
O que criei este ano, o que não criei...
O que inovei este ano, o que não inovei...
O que mudei este ano, o que não mudei...
O que senti este ano, o que não senti...

Senti, sem qualquer sombra de dúvidas (e por vezes choro quando penso), a falta do meu irmão este ano...

Como se diria em japonês: Chotto kowai watashi. Chotto kowai. Kowai to sabishi demo, daijoubu!
Cada vez mais sei estar sozinha, e começo a gostar de assim estar. Só eu, no meu mundo e na minha vida. (egocêntrico? Talvez.) Ap
rendi e estou a aprender a estar sozinha e, na verdade, não desgosto. Neste momento só precisava de um T2 e um cão. Um cão era muito importante.

E agora vai começar um novo ano.
Planos? Sonhos? Será muito mau dizer que não os tenho? Que começo um novo ano como tábua que só tem furos de pregos e não tem projecto?"

sábado, 20 de dezembro de 2008

Uma sociedade habituada a ganhar


Há dias ouvi na televisão que estamos a criar uma geração que está habituada a ganhar. Quem estava a falar era uma actriz conhecida (Jamie Lee Curtis, se não me falha o nome) e ela usou um exemplo bastante interessante. Falou que muitos pais, quando vêm um filho frustrado por não conseguir fazer um jogo, que arranjam outro para ele fazer, de modo a que seja bem sucedido. Ou seja, quando não consegues, em vez de lidares com o facto de não conseguires, arranjas outra distracção. Ela usou este exemplo para explicar que hoje em dia, não estamos habituados a lidar com o acto de falhar, com não sermos bem sucedidos a tudo.
E a verdade é que a nossa sociedade só nos vende a imagem de ser bem sucedido, de ter uma vida abastada, a conjugar a auto-realização e o poder económico. A sociedade exige isso d e nós, e cada vez menos sabemos lidar com essa coisa chamada “falhar”. E mais ainda como cristãos. Minto?
Quem nunca ouviu em orações “os filhos de Deus serão preferidos aos demais”? (isto também levanta a questão mas não somos todos filhos de Deus, believers or not?) A Igreja está mais infectada pela sociedade do que se imagina. Também nós vendemos uma vida de sucesso e abastança; e quando alguém não está assim, o primeiro pensamento que vem à mente das pessoas é “O que é que será que ele fez? O relacionamento dele/a com Deus não deve estar muito bom…” Epa, mas nada disso!!!! Lembrem-se de José (do Egipto), passou pelo que passou: vendido pelos irmãos, virou escravo, quando o caso começou a mudar de rumo e foi para a casa de Potifar acabou por ir para a prisão. E o relacionamento dele com Deus, estava tremido? Há algum registo que diga que ele virou costas a Deus ou algo que se pareça? Que ele tenha feito algo desagradável a Deus?

Meus amigos, vamos ser humanos, todos erramos, e não é por isso que temos pior vida. Vamos resumir-nos à nossa existência.
Somos humanos, falhamos, por muito que custe admitir.

EU FALHO, e tu?

domingo, 14 de dezembro de 2008

"O" Sonho



"O mesmo sonho que me embalava quando eu era mais nova, é hoje o sonho que me faz perder o sono. São 2h35 e estou há 3 horas a pensar nesse sonho que me tira a paz de alma. O sonho que me faz ficar sem força no dia seguinte.

E, curiosamente, é esse o sonho que tenho mais vivo em mim; é o sonho que arde com chama mais forte; é o sonho que me dá lágrimas e sorrisos ao pensar nele… o sonho que só existirá enquanto eu estiver de olhos fechados."

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Dizeres 02

Uma esperança muito demorada faz o coração doente; mas quando os sonhos se realizam trazem vida e alegria.

Provérbios 13:12

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Bloom again?

Como se costuma dizer... "ele há coisas levadas da breca"!

Nas minhas ocasionais reflexões com a minha melhor amiga, deu-me na veneta pensar em amizades. Isto quando me dá para querer ser filósofa... Realmente, há alturas em que no curso de psicologia não se faz muito (para me dar ao luxo de filosofar)... Mas há outras alturas que até mãos cheias de cabelos se arrancam!
Anyway, concluí o que já sabia com uma metáfora bonitinha (foi o que se pôde arranjar).


As amizades são como as plantas, precisam dum cuidado contínuo para que permaneçam vivas. E geralmente as que florescem mais rápido são também as mais susceptíveis de morrerem cedo... A não ser que o cuidado esteja presente.

E nestas coisas o pior que se pode fazer é (e só consigo pensar numa expressão em inglês) "take for granted". Acho que a expressão fica a roçar a ideia de ter as coisas como certas e garantidas, tendo elementos para que tal aconteça ou não. Tomar amizades como garantidas é como dar um certificado de "mesmice" à pessoa. Todos cescemos e mudamos, e nisso somos como os softwares, há actualizações que têm que ser feitas! Então sim, tomar alguém como um amigo garantido [e não continuar a regar a amizade] é dizer "estagnaste aí".


Fez-me lembrar uma parte duma música que gosto...

"I know we'll grow, but we'll never bloom again
I'm sure we'll grow, but we'll never bloom again"
The Perishers


Vamos crescer, mas não vamos florescer...
Encerro hoje aqui...


Never Bloom Again - The Perishers

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Dizeres 01

"Quando o sábio aponta para a lua, o estúpido olha para o dedo."

domingo, 16 de novembro de 2008

Em busca de estrelas...

É curioso como a Natureza consegue pôr-me a pensar…

No outro dia, estava sentada na cama de rede do pátio da casa dos meus pais e estava a olhar para o céu estrelado. É interessante… como as estrelas parecem tão próximas entre si, mas estão tão longe. E mais, achamos que estamos tão perto delas, e na prática, estão tão longe. Com as pessoas também é assim. Achamo-nos tão próximos de outra pessoa, e até nos atrevemos a brilhar nessa nossa assunção, a pensar que estamos perto, quando na verdade, estamos tão longe. É uma distância abismal, a distância entre estrelas. É incompreensível para mim. Inconcebível, na minha mente limitada. E chega a assustar-me. Incomoda-me. Mas, há um vale entre nós estrelas, e no entanto, brilhamos. Estamos tão longe, mas apesar disso, brilhamos. Brilhamos.

Depois, vi estrelas cadentes. Estrelas que morrem, estrelas cujo brilho se desvanece e são esquecidas na infinitude do tempo e espaço. Mas a queda é tão bela de assistir. Se um dia eu cair, quero cair com esta beleza e graciosidade…

Olhei um pouco em redor do manto azul-escuro que me cobria a cabeça. Tantas estrelas consegui ver nessa noite. Vi uma estrela com um brilho mais forte e contínuo, e prendi-me nela… olhei-a, analisei-a, e admirei-a. Poucas são as pessoas que conseguem manter um brilho tão constante na vida. Prendi-me no seu brilho, foi inevitável. Mas logo continuei a olhar em volta, sempre com aquela estrela como referência. Deparei-me com uma estrela diferente, com um brilho peculiar. Não era contínuo, mas também não era só branco, tinha uma tonalidade de laranja de vez em quando. Achei tão interessante. Voltei a olhar para a estrela de brilho constante novamente, um ponto de referência para mim, mas já fui capaz de desviar o meu olhar dela, para satisfazer a minha curiosidade na outra estrela de dois tons. Apesar da estrela mais brilhante ser uma referência para mim, não consigo deixar de olhar para a minha estrela de dois tons. A minha estrela de dois tons…
Db
[24.08.08]

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Carta a quem quer conhecer-me

Olá, sou a Débora.
Muitos me chamam por Debbie, aliás, peço para me chamarem assim.
Sou uma rapariga que está a estudar Psicologia, e se as ideias não mudarem entretanto, vou seguir Psicologia das Organizações e do Trabalho.
O meu maior amor na vida é a música. Para mim é um desgosto enorme não saber tocar um instrumento para poder compor algumas músicas, então resumo-me à escrita e a cantar músicas conhecidas e dos meus amigos.
Gosto de sorrir, rir às gargalhadas, por muito que sejam socialmente incomuns! Gosto de um bom pôr-do-sol em boa companhia ou sozinha com uma boa banda sonora. Não há nada como tirar fotografias macro ou a paisagens.
Sou uma pessoa que gosta de transparecer que está tudo bem comigo, independentemente da realidade que estou a viver. Não gosto de preocupar os outros, porque cada um já tem os seus problemas, e não precisam de mais um do qual se lembrar de vez em quando. No entanto, tenho o complexo de Wonder-Woman, quero ajudar todos os meus amigos, e se preciso, procuro sacrificar-me por eles. Quero preocupar-me com eles. Para mim, os amigos são uma parte muito importante da minha vida também.


Tenho dois grandes elementos que tento sempre valorizar nas minhas acções, os meus pais. Agora estou a viver sem eles, e noto a falta que fazem de vez em quando. A palavra deles ainda se sobrepõe muitas vezes a qualquer outra palavra dos meus amigos ou até minha; antes, quando eu achava uma coisa e eles achavam outra, era frequente eu começar a achar o que eles achavam; agora tento pensar mais por mim.
Outro grande elemento da minha vida é o meu irmão. Mais velho e a viver longe, quando estou com ele tento sempre absorver o que ele pensa das coisas. É uma grande referência para mim.
Gosto de estar numa alter-realidade, que é o mundo dos Animes Shoujo. Desenhos animados japoneses (legendados em português do Brasil ou inglês) com enredos tipicamente femininos são a minha fuga da realidade. Embebedo-me nos romances das jovens que vão à escola, da aspirante a cantora que luta pela vida, ou da rapariga modelo que se apaixonou pelo estilista dela. Choro, rio e aprendo japonês com este meu mundo à parte. O regresso ao planeta Terra é sempre difícil.


Apesar de tentar aparentar uma imagem estável e segura, sou uma pessoa frágil, e a minha fragilidade só se revela quando me sinto mais sobrecarregada ou a precisar mesmo de falar do que se anda a passar comigo. Quem quer conhecer a minha fragilidade sem ser numa destas condições, precisa insistir muito comigo para que eu me revele, porque a isto estão aliados alguns medos, como o de ser julgada e/ou menosprezada. Muitas vezes não basta eu saber que posso confiar na pessoa, a relutância é sempre muita. Por isso se me queres conhecer mesmo, tens de insistir, porque para mim “está tudo bem!”.
Acredito em Deus, e tenho a certeza que se não fossem as minhas convicções, que eu estaria nos psicólogos, dia após dia, a tentar resolver as minhas “crises”. Por isso, obrigada Deus!

Este é um traço largo de mim... esta sou eu…
Encontra-me e descobre-me!

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Pedaços




Perdi um pedaço de mim.
Não por me terem magoado,
Enganado ou atraiçoado.
Perdi um pedaço de mim em ti.

Viajei em ti.
Contemplei cada monte,
Cada vale, cada lago,
Cada pântano, cada prado.
Absorvi tudo.
Tudo o que me permitiram
Estes meus limitados
E reduzidos sentidos.
És belo.
Mais belo do que me lembrava.
Recordei porque me cativaste
Desde o primeiro momento que te vi.

Abandonei-te.
Parti de volta para o meu mundo.
No entanto senti-me incompleta.
Ficaste com mais um pouco de mim.
E em troca deste-me um pouco de ti.

Um dia reaveremos esses pedaços.
A nossa viagem será uma e una,
E perseguiremos pores-do-sol,
Até que o horizonte nos receba,
Estendidos.


[24.04.07]
(exactamente um ano depois do ultimo post... cá estou...)